many


13/06/2008 12:01
Há mais de um mês, enquanto fazia minha leitura diária, fiquei chocada ao ler um trecho, de uma reportagem publicada pelo jornal O Dia, que discorria sobre a permissão de cachorros na praia, que dizia:

"Mery justificou: Aqui o pessoal está acostumado. Eles (os cachorros) são até conhecidos. A gente paga uma fortuna de impostos e a praia é aproveitada pelo pessoal da Rocinha. Deveriam criar uma praia para cachorros, como nos EUA. Eles têm que ter um lugar ao sol." (Extraído do jornal O Dia de sexta feira, 23 de maio de 2008. Pág 04)

Assim que concluí a leitura, perguntei a mim mesma se o que acabara de ler era real, e cheguei a conclusão de que esta senhora desconhece o mundo desigual no qual está inserida e, obviamente, pertence a uma classe que vive alienada. Classe que desconhece os problemas vivenciados pela maior parte da sociedade brasileira, cuja origem se encontra na distribuição desigual de renda, o que obriga "o pessoal da rocinha" e de outras comunidades a adotar meios outros de enfrentar a realidade.É certo que muitas vezes julgamos estes meios, entretanto, outra questão me veio a mente enquanto pensava sobre o assunto. Na situação deles, eu agiria de maneira diferente?

Quero deixar claro que não estou tomando partido de ninguem, mas achei que valia a pena refletir sobre este assunto, uma vez que vivemos em uma sociedade marcada por contradições. Estas vêm a tona quando nos deparamos com discursos como o que acabei de citar.
enviada por Pri



23/05/2008 18:56

Jane Eyre

Este é o primeiro livro de Charlotte Bronte que leio. Como todo curioso que se preze, li um pouco sobre a vida da autora antes de entrar nesta estória, cujo pano de fundo é a Inglaterra do séc XIX.

Saciada a minha curiosidade, comecei a ler o livro e notei semelhanças entre jane Eyre e Charlotte Bronte. Ambas eram pobres; tiveram uma educação rígida; não eram bonitas, mas eram inteligentes; lecionaram e, posteriormente, trabalharam como "governess", e se apaixonaram por homens casados.

A medida que prosseguia na leitura, alguns pontos chamavam minha atenção, pois sempre que leio um livro procuro relacioná-lo com a contemporaneidade.

Neste romance, o primeiro ponto - e único que mencionarei dada a profundidade da questão - que deu início as minhas indagações, em escala micro (claro!), diz respeito ao sistema de ensino destinado aos menos favorecidos daquela época.

As escolas destinadas as meninas pobres da Inglaterra do séc XIX geralmente eram mantidas por ingleses ricos. Porém, isso não era sinônimo de qualidade total, já que estas escolas eram mal cuidadas; as refeições, assim como as vestimentas, não eram boas, e a falta de disciplina era devidamente punida. Por outro lado, o ensino era satisfatório, de modo que quando saíam destas instituições, elas podiam trabalhar na casa de famílias ricas, que as contratavam para dar aulas aos seus filhos. Assim, as moças possuíam uma formação que lhes possibilitava sobreviver.

Hoje, em pleno séc XXI no Estado do Rio de Janeiro, nos deparamos com um quadro no mínimo curioso. As escolas públicas atendem a uma demanda semelhante a das escolas mencionadas no parágrafo anterior, já que são destinadas a educação das crianças menos favorecidas. Tambem é fato que as escolas públicas atuais deixam a desejar na manutenção de suas instalações, o que me faz pensar que estaríamos empatados se parássemos por aqui. Entretanto, a realidade que lemos nos jornais é desanimadora, pois além da precariedade das instituições de ensino, esbarramos com a desvalorização dos professores, que se submetem aos baixos salários e ao desrespeito dos alunos, e com o descaso das autoridades, que não dispensam a atenção devida a educação - um dos pilares para o desenvolvimento de um país. Com isso, notamos a falta de motivação dos professores e o consequente desleixo no ato de lecionar, assim como o desinteresse dos alunos com relação ao aprendizado. Ou seja, superamos o modelo citado no parágrafo anterior, uma vez que o ensino tem piorado a cada dia.

Comparando estas duas realidades, me pergunto: Qual o melhor sistema de ensino? Aquele no qual os alunos eram submetidos a sanções mas, em contrapartida, recebiam um ensino satisfatório, ou a situação que vivenciamos hoje, caracterizada pelo descaso, pela falta de estímulo e pela inversão de papéis?...

...Sinceramente, tenho críticas a ambos, mas, como este post já está enorme, fico por aqui.

Hasta luego amigos!
enviada por Pri



17/05/2008 12:59

My thoughts.

Em Cantervile ghost, o talento de Wilde mais uma vez nos mostra o motivo pelo qual sua obra se mantêm viva e nos enche de admiração.

Nesta estória, uma família americana se muda para a Inglaterra. Além dos membros da família e dos empregados, um fantasma circula pela casa. Este fato incomoda a todos, exceto a família do ministro que, tomando conhecimento do fato, não se sente intimidada e adota medidas que ofendem a honra e o prestígio adquiridos pelo fantasma, ao longo dos anos. Desnecessário dizer que o desenrolar desta estória, juntamente com a mencionada no post anterior, nos surpreende, uma vez que contém passagens que nos levam a refletir sobre o comportamento humano. Nossos antepassados eram diferentes de nós? Mudamos alguma coisa ou continuamos os mesmos?

Quanto mais leio seus livros, constato que continuamos os mesmos. O que muda são os cenários, o contexto, as circunstâncias e os atores. Ou seja, persistimos nos mesmos erros e reproduzimos comportamentos que, por vezes, criticamos, como: hipocrisia, falsidade e vaidade, por exemplo.

Sob estas circunstâncias, chego a conclusão de que, se não fosse o amor incondicional de Deus, estaríamos sujeitos a contínua reprodução. Felizmente, ele nos concede a chance de mudarmos o curso da nossa estória e, assim, passarmos de meros reprodutores de algo já dado, a autores da nossa estória no grande palco da vida.
enviada por Pri



16/05/2008 19:48

Lord Arthur Savile's crime.

Em uma festa oferecida por Lady Windermere, um sujeito chama a atenção de todos. Conhecido como "my cheiromantist" - pela anfitriã -, Mr. Podgers prevê o futuro através da quiromancia. Esta habilidade desperta a curiosidade de um dos convidados que, como os demais, pede para ter seu futuro decifrado.

As linhas da mão de Lord Arthur geram curiosidade entre os presentes, pois além de não ter seu futuro divulgado, como fora feito com os convidados que também se submeteram a isso, a fisionomia do quiromante vai adquirindo expressões pertubadoras a medida que avança na leitura.

Após o ocorrido, Lord Arthur dá início a um diálogo subjetivo e exige que o mistério lhe seja revelado, uma vez que o que foi descoberto lhe diz respeito, como pode ser observado na seguinte passagem:

"How mad and monstruous it all seemed! Could it be that written on his hand, in characters that he could not read himself, but that another could decipher, was some fearful secret of sin, some blood-red sign of crime?"

Revelado o segredo, embarcamos em mais uma esplêndida comédia, escrita por Wilde, cujo desenrolar é pontuado por cenas engraçadíssimas que nos revelam seu talento.
enviada por Pri






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